Acusado de atropelar e matar quatro pessoas em São José dos Campos vai a júri no dia 17 de novembro

Nove anos após o atropelamento que matou quatro pessoas em São José dos Campos, Mateus de Jesus Sousa será julgado pelo Tribunal do Júri. O crime aconteceu na madrugada de 7 de setembro de 2017, na Rodovia SP-066, a Estrada Velha Rio-São Paulo, no bairro Chácaras Reunidas.
Segundo a investigação, Mateus dirigia uma caminhonete quando atingiu um grupo que havia parado para prestar socorro a um motociclista envolvido em outro acidente. Morreram Guilherme Augusto Oliveira, de 28 anos; Bianca Magalhães Pereira, de 18; Moisés de Queiroz Matias, de 25; e Lucas Mario Carvalho Vieira, de 22 anos.
Três vítimas morreram no local. Lucas foi socorrido e levado ao Pronto-Socorro da Vila Industrial, mas não resistiu aos ferimentos.
A perícia apontou que a caminhonete estava entre 89 e 106 quilômetros por hora no momento do atropelamento, em um trecho onde o limite era de 50 km/h. Segundo o relatório policial, havia uma motocicleta sinalizando o acidente, com faróis e pisca-alerta ligados, e o grupo podia ser visto a mais de 50 metros.
Testemunhas relataram que Mateus havia consumido bebidas alcoólicas antes do acidente e feito manobras perigosas. Inicialmente, ele negou ter bebido, mas depois admitiu em juízo que havia tomado chope.
Após o atropelamento, segundo os documentos do processo, Mateus deixou o local sem prestar socorro. Ele teria coberto o veículo com uma lona ao chegar em casa e depois viajado para São Paulo.
A investigação também apontou que o acusado teria procurado uma testemunha para tentar convencê-la a mentir sobre o consumo de bebidas alcoólicas. O episódio foi considerado pelo Ministério Público em pedidos relacionados à prisão preventiva.
O Ministério Público denunciou Mateus por quatro homicídios qualificados, em concurso formal, com dolo eventual. Para a acusação, ao dirigir após consumir álcool, fazer manobras perigosas e trafegar em velocidade muito acima do limite, ele teria assumido o risco de provocar as mortes.
O processo precisou ser refeito depois que a 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou os atos a partir de uma audiência realizada em agosto de 2018. A nova instrução terminou em março de 2021.
Em 28 de maio de 2021, o juiz Eduardo de Franca Helene, da Vara do Júri de São José dos Campos, decidiu que Mateus deveria ser levado a julgamento pelos quatro homicídios qualificados. A decisão considerou que havia elementos suficientes para que os jurados analisassem a acusação.
A sessão está marcada para 17 de novembro de 2026, às 9h, em São José dos Campos. Uma decisão recente também prevê que, devido à complexidade do caso, o julgamento e a oitiva das testemunhas podem se estender por mais de um dia.
No Tribunal do Júri, os jurados deverão analisar as provas apresentadas no processo e decidir sobre a responsabilidade criminal do acusado.






